Notícia

A vida ganha um jeito de cinema com as atividades das Oficinas Querô

Fonte : Gustavo Klein - Jornal A Tribuna

01.04.2010

Desenvolver um olhar crítico sobre o mundo por meio do estudo ­ e da prática ­ do cinema. A proposta das Oficinas Querô, que unem com maestria cultura e cidadania, começa novamente a ser colocada em prática este ano, com a nova turma, de 37 jovens entre 14 e 17 anos.

O lançamento do projeto aconteceu na última semana, no Sesc, e contou com a presença do diretor do filme Querô, Carlos Cortez, e também dos atores Maxwell Nascimento e Samuel de Castro, revelados no filme e que seguiram carreira no cinema e fora dele. Maxwell, por exemplo, chegou até a participar da novelinha global Malhação.

Um outro grupo de jovens atores, produtores, diretores, editores e fotógrafos capacitados pelo projeto em sua primeira turma criaram uma empresa, em formato de cooperativa, que produz filmes. A Querô Filmes já assina produções institucionais para empresas, por encomenda.

Cortez define como maior desafio do projeto, hoje, a capacidade de geração de renda. "É importante que esses jovens não apenas aprendam os conceitos, mas que possam praticálos e, disso, ter um ganho". O ator e diretor Samuel de Castro, que fez parte da primeira turma e hoje trabalha na Santos Film Comission, destaca ainda o aspecto familiar do projeto. "Quando alguém tem um problema em casa e essa questão chega ao grupo, de alguma forma, ela é trabalhada coletivamente. Isso é muito bom".

Produtora das Oficinas Querô, Talita Sampaio reforça que a prática, este ano, terá mais força. "Desde o início serão muitas as atividades práticas e vamos dar, também, bastante atenção à integração com os pais. Além das atividades ligadas a cinema, os jovens também visitarão museus e terão aulas de informática e até de primeiros socorros".

FILME

As Oficinas Querô nasceram como laboratório de preparação para o elenco do filme Querô, de 2006, produzido pela Gullane Filmes e dirigido por Carlos Cortez. Depois, em parceria com o Unicef, transformou-se em um projeto social, Oficinas Querô ­ Empreendedorismo e Cidadania através do Cinema. O objetivo primeiro é o de educar o olhar e, assim, despertar o pensamento crítico em jovens que vivem realidades muito semelhantes às dos protagonistas do filme.

Os jovens participantes terão, durante todo o ano, encontros cinematográficos intercalados com atividades práticas. Os alunos vão aprender sobre os principais elementos de uma produção cinematográfica, do roteiro à direção, passando pela fotografia, edição etc. Os jovens fazem, então, suas próprias produções, de curtasmetragens, usando novas tecnologias e mídias convergentes. Os filmes produzidos são disponibilizados no portal do projeto na internet, em www.oficinasquero.com.br

QUERÔ

Inspirado em obra de Plínio Marcos, Querô mostra a trágica trajetória de um menino nascido na zona portuária santista. Sua mãe, uma prostituta, se matou tomando querosene, daí seu apelido. Seu pai, claro, é desconhecido. Criado no prostíbulo onde sua mãe vivia, ele se põe em contato, desde pequeno, com a violência das ruas. Vive cometendo pequenos delitos até que é preso e vai para a Febem. Lá, a realidade é ainda pior. Querô consegue fugir e experimenta um início de resgate de sua vida ao se apaixonar pela filha de um pastor evangélico. Mas seu passado lhe persegue e Querô se vê em um ciclo sem fim que o leva à destruição. Parte da longa galeria de personagens trágicos de Plínio, Querô encontra paralelos com muitos jovens de periferias das grandes cidades. Inclusive em Santos, onde se passa a história do filme.

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